
Enquanto Rê vive sua história de amor com Gael, não posso me furtar a prestar um tributo – um tanto quanto tardio, admito – ao belíssimo Louis Garrel. Fui arrebatada por sua beleza andrógena e sua presença estonteantemente masculina em A bela Junie. Não fosse pelo título em português, ficaria evidente que La belle personne se aplica tanto à lindíssima Léa Seydoux quanto a ele.
Minha cinéfila e exigente amiga Marina tenta me convencer de que o filme é fraquinho – insiste que eu devo assistir aos outros de Honoré para confirmar essa verdade incontestável. Enquanto busco justificativas racionais para a minha aparentemente irracional “facilidade” com relação a livros e filmes (leia-se: “sou facinha”), me rendo à óbvia constatação de que a beleza, pura e simples, pode ser apaixonante. Certamente não foi esse o único motivo pelo qual Honoré me ganhou – cheguei a confessar, e não foi apelação, que ainda me identifico com alguma coisa do desespero adolescente –, mas ao acender das luzes do cinema a sensação física do arrebatamento por Léa e Garrel ainda permanecia.
Curiosamente, contrariando minha própria tese de que se trata de uma beleza involuntária, natural e imanente, descubro que já havia trombado com Garrel em outras telas, sem que ele houvesse sequer alterado meus batimentos cardíacos. Também foi assim com Jude Law. Para dizer a verdade, só prestei a devida atenção nele em Closer à segunda vista, depois de tê-lo descoberto, estonteantemente belo, em O amor não tira férias (momento TSC: vi o filme duas vezes no cinema em uma mesma semana, só para prolongar a “sensação física do arrebatamento por Jude”). Devo supor, então, que algo do ar perdido e obstinado de Nermous e do olhar frágil e doce de Graham capturou minhas retinas. E mais não suponho, porque a beleza é para ser admirada e reverenciada, e não dissecada ou entendida.
Garrel, minha nova paixão, meu novo muso: a você, minhas sinceras e despudoradas homenagens.
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Além das homenagens aos musos, eu e Rê temos agora mais alguma coisa em comum: passei dos trinta... Bem, falemos de Garrel?